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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

06.02.26

O homem é imaginável...


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As águas do rio continuam a correr impacientes, fogem da presilha de betão que as seguram constantemente. Não gostam de ficar aprisionadas, amarradas nas depressões de terrenos, cercadas por encostas muito íngremes. A jusante espera-as a liberdade, levando com elas as memórias destruidoras, das vivências, das famílias, das gentes das aldeias da minha terra. A situação difícil da qual parece não haver saída possível, mantêm-se. Há uma interrupção no tempo, nas viagens e (...)
27.01.26

Ficam as mensagens, ...


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O rio beija ambas as margens de semblante carregado, na incerteza, quanto ao que poderá acontecer nas próximas horas. Os seus afluentes há muito que transbordaram, inundando algumas áreas cultiváveis. Por enquanto, não é nada demais relacionado com as recentes pressões dos lábios do rio sobre os terrenos que o ladeiam. Um desejo de invadir, de possuir o que lhe retiraram quando o impediram de correr livremente até ao oceano. Ou talvez um gesto de afirmação, estou aqui, sou o (...)
30.10.25

Morreram, trabalham longe da aldeia...


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O dia corre abatido, como as águas do rio, pardacentas, a passarem debaixo da ponte. Passagem usada pela biblioteca ambulante nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Até a aldeia parece moribunda, se não fosse o vento a agitar as folhas das árvores, diria que estava perante um cenário de um filme, onde personagens, e figurantes, aguardam pelo retomar das filmagens. As paredes brancas das casas, dos muros, são a única cor, um sinal, que não estão (...)
29.04.25

Um farol contra os apagões ...


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Ler raramente leva a maus comportamentos, o dia de ontem,  foi cheio disso mesmo, nas atitudes de muitas pessoas. Aqui, a estrada  (nacional nº 2) além de levar forasteiros de passagem para o sul do país, é o principal acesso, onde várias artérias rodoviárias desembocam nesta, vindas da cidade, trazendo e levando abrantinos. O que fizeram alguns automobilistas, levados pela ignorância, estupidamente puseram-se a encher os depósitos de combustível dos automóveis, num posto de (...)
05.09.24

Separa os filhos da terra ...


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O ar fresco varre o vale, leva a companhia, traz a solidão. Separa os filhos da terra, puxa, o isolamento, o medo, o ruído do silêncio. Em breve, as folhas das árvores começarão também elas a serem levadas pelo vento, deixando estas despidas, arrefecem as mulheres e os homens no vale. Nos dias curtos, dos próximos meses, há uma árvore resistente às intempéries do inverno. Na biblioteca ambulante, as sua folhas nunca se despedem dos ramos que as prendem. Os leitores cativam as (...)
22.04.24

Leia uma história ...


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Dia da Terra, o sol, as flores, de cores amarela e roxa, flanqueando os caminhos nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. O aspecto, dos campos impressionam, tapetes de alegria a perder de vista não deixam indiferentes aqueles que percorrem as estradas apertadas. Dão esperança, iludindo a alteração do estado de emergência em que o planeta se encontra. O alívio urbano dá que pensar na aldeia do Vale de Açor, os veículos pesados a transportarem grandes (...)
16.04.24

O Manuel regressou à sua terra ...


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O Manuel regressou à sua terra definitivamente. Conheci-o nas viagens e andanças. Frequentava o Centro Social na aldeia, não foi um leitor na acepção da palavra. Aprendeu a ler com o tio, desde muito cedo começou a trabalhar, acompanhava-o nas campanhas agrícolas. Nos momentos de lazer, o tio deu-lhe a conhecer as primeiras letras, não ia além da leitura de jornais, sabe escrever o seu nome. Sempre que a biblioteca ambulante regressava, lá estava o Manuel a espreitar as gordas (...)
02.04.24

Falam com as mãos ...


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Tenho saudade dos dias de sol, de manhã à noite, das viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, embriagadas pelos odores florais, ao longo dos percursos. As pessoas nas aldeias reclamam do excesso de água nas terras cultiváveis, do frio que devora os dias,  dos ossos corroídos pela passagem do tempo. A chuva voltou, na aldeia da Ribeira do Fernando, está a molhar as ruas, a biblioteca ambulante, os desprevenidos. A conversa entre os três homens, no acesso à (...)
13.03.24

Apagaram-se os sonhos...


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A súbita, subida da temperatura, esmoreceu o viajante das viagens e andanças. Na biblioteca ambulante, sonha com a praia, a ler numa espreguiçadeira, a refrescar-se nas águas do rio. As portas abertas permitem a circulação do ar fresco, a agilidade dos raios solares penetrarem para beijarem as histórias. Trazerem esperança há presença de mais leitores, de curiosos a espreitarem as novidades nas primeiras páginas dos jornais diários. A propósito das próximas celebrações dos (...)
09.02.24

O vento não as levou, ...


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O vento puxa-me, não quero ir, o arco-íris é a ponte para chegar à outra margem do rio, nas viagens e andanças. O sol rasgou as nuvens ao meio, de um lado há alegria, no outro a tristeza. Em ambos há histórias contadas, há histórias por contar, a biblioteca ambulante está cheia delas. O vento não as levou, não sabe ler, é um conquistador, leva tudo à sua frente, de um momento, para o outro, conquista o mundo. A biblioteca ambulante não é o vento, voa nas asas deste, para (...)