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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Dia da Terra, o sol, as flores, de cores amarela e roxa, flanqueando os caminhos nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. O aspecto, dos campos impressionam, tapetes de alegria a perder de vista não deixam indiferentes aqueles que percorrem as estradas apertadas. Dão esperança, iludindo a alteração do estado de emergência em que o planeta se encontra. O alívio urbano dá que pensar na aldeia do Vale de Açor, os veículos pesados a transportarem grandes (...)
O Manuel regressou à sua terra definitivamente. Conheci-o nas viagens e andanças. Frequentava o Centro Social na aldeia, não foi um leitor na acepção da palavra. Aprendeu a ler com o tio, desde muito cedo começou a trabalhar, acompanhava-o nas campanhas agrícolas. Nos momentos de lazer, o tio deu-lhe a conhecer as primeiras letras, não ia além da leitura de jornais, sabe escrever o seu nome. Sempre que a biblioteca ambulante regressava, lá estava o Manuel a espreitar as gordas (...)
Tenho saudade dos dias de sol, de manhã à noite, das viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, embriagadas pelos odores florais, ao longo dos percursos. As pessoas nas aldeias reclamam do excesso de água nas terras cultiváveis, do frio que devora os dias,  dos ossos corroídos pela passagem do tempo. A chuva voltou, na aldeia da Ribeira do Fernando, está a molhar as ruas, a biblioteca ambulante, os desprevenidos. A conversa entre os três homens, no acesso à (...)
A súbita, subida da temperatura, esmoreceu o viajante das viagens e andanças. Na biblioteca ambulante, sonha com a praia, a ler numa espreguiçadeira, a refrescar-se nas águas do rio. As portas abertas permitem a circulação do ar fresco, a agilidade dos raios solares penetrarem para beijarem as histórias. Trazerem esperança há presença de mais leitores, de curiosos a espreitarem as novidades nas primeiras páginas dos jornais diários. A propósito das próximas celebrações dos (...)
O vento puxa-me, não quero ir, o arco-íris é a ponte para chegar à outra margem do rio, nas viagens e andanças. O sol rasgou as nuvens ao meio, de um lado há alegria, no outro a tristeza. Em ambos há histórias contadas, há histórias por contar, a biblioteca ambulante está cheia delas. O vento não as levou, não sabe ler, é um conquistador, leva tudo à sua frente, de um momento, para o outro, conquista o mundo. A biblioteca ambulante não é o vento, voa nas asas deste, para (...)
A torrente das águas do rio Tejo, corre desembaraçada para jusante, ao lado do Tramagal, em direcção a Lisboa. Águas castanhas lambendo as margens, as bordas de um prato com vestígios de algum arvoredo destruído pelas intempéries do inverno. A natureza renovando-se como pode, aproveitando oportunidades, assim fossem as pessoas, agarrarem as histórias na presença da biblioteca ambulante nas aldeias. Tramagal aqui tão perto de Abrantes, à vista desarmada, mas distante nas (...)
Hoje, o céu é uma cabeça de chuveiro, tem os buracos todos desimpedidos. Tiram vantagem os animais no campo, nas pastagens, têm a erva tenra, a água limpa, condições para crescerem saudáveis. Debaixo deste chuveiro natural não arriscarão banharem-se os leitores, os corajosos que se atiram para baixo do jato de água, podem vir à sauna, a biblioteca ambulante, é um espaço aquecido. Um lugar excessivamente quente, ocupado por histórias, chamas invisíveis, aquecendo quem as (...)
A chuva da última noite, apressou as águas das ribeiras e outras linhas invisíveis no tempo quente, deste líquido incolor. Correm sem censura, as pedras no leito, as partes lenhosas desprendidas pela ação do vento nas árvores, deixaram de serem obstáculos. A manifestação estendeu-se à charneca, encontrei-a a chorar de alegria, as lágrimas escorriam pelos desníveis, até às bermas que ladeiam a estrada. O destino de tanta alegria, vai afogar-se no rio ibérico, que divide as (...)
O denso nevoeiro envolve as aldeias da minha terra a norte do rio Tejo, aquelas, cujos alicerces estão constantemente a banharem-se no rio Zêzere. Do alto das suas escarpas este último rio perde-se no horizonte, seguindo-o, a montante, podemos adivinhar os montes Hermínios com os cumes cheios de neve. A aldeia está adormecida na obscuridade desta atmosfera aquosa, há pouco tempo uma mulher passou próxima da biblioteca ambulante, dirigindo-se à mercearia, destacando umas pantufas (...)
Ninguém está indiferente ao frio, ainda por cima o mercúrio do termómetro está preguiçoso, não sobe além dos 10º Celcius. A chuva amedrontada, cai silenciosamente sobre o vidro grande da biblioteca ambulante, avisando-me da possibilidade de não ter leitores esta tarde. Não foi o aviso, mas a malícia a mencionar a novidade, a água desejada por todos nós, não quer as histórias a disputarem-lhe o lugar no largo do Cabrito. Há espaço para as duas correntes, pluvial e (...)