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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

04.03.26

Um caminho que se tornou assíduo ...


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O rio voltou a estar fausto, com as águas inundando as raízes das árvores plantadas nas margens. Avista-se uma linha rochosa à superfície, ao longo do curso do rio, pontiagudas, cravando a imaginação do viajante das viagens e andanças. Paralelamente, no sentido sul, na mesma passagem, uma ramificação de um caminho de ferro, desactivada. Outrora, comboios com andamento cansativo, iam por ali adiante, transpondo o rio, com os vagão-mercadorias cheios de carvão para a (...)
13.02.26

Criar mudanças urgentemente, ...


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Abateu-se nas aldeias da minha terra um enxame de palavras, protestando sob a forma de chuva minuciosa. Todos os pormenores caem sobre as nossas cabeças, os que não damos importância, continuamos a praticar inconscientemente, os que sabemos que terão consequências, mas acontecem aos outros. A admoestação do planeta não tem limites, desta vez, fomos nós a receber a manifestação negativa, quando continuamos a tratar mal a nossa Terra. A crise climática entrou-nos pela casa (...)
27.01.26

Ficam as mensagens, ...


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O rio beija ambas as margens de semblante carregado, na incerteza, quanto ao que poderá acontecer nas próximas horas. Os seus afluentes há muito que transbordaram, inundando algumas áreas cultiváveis. Por enquanto, não é nada demais relacionado com as recentes pressões dos lábios do rio sobre os terrenos que o ladeiam. Um desejo de invadir, de possuir o que lhe retiraram quando o impediram de correr livremente até ao oceano. Ou talvez um gesto de afirmação, estou aqui, sou o (...)
08.01.26

É o fogo que não se vê ...


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Hoje, o dia está cinzento, sem uma réstia de sol não há vivacidade nas aldeias, ficam de parte os leitores da biblioteca ambulante. Os restantes estão em casa, sei disso, o ar é denso, o odor da lenha em combustão impregna os lugares onde a biblioteca ambulante permanece. Originária do sobreiro, arde em todas as lareiras, nas aldeias. As chaminés estão o dia todo a vomitar fumo, sem parar, parecem comboios alimentados a vapor, cujas fornalhas engolem toneladas de lenha para (...)
09.12.25

Extinguindo o fogo, suprimindo ...


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A chuva não para de cair, alimentando as ribeiras, tornando visível pequenos charcos nos terrenos que acompanham a biblioteca ambulante pelas aldeias da minha terra. No interior do café Areias, no meio da obscuridade jogam às cartas dois homens. Enfiados no fundo da sala, só muito perto da mesa onde estão sentados se deixam ver. Admiro a audácia destes dois, disputando um jogo de bisca, onde os naipes parecem silhuetas presas nas mãos. Mas, não é bem assim, pois as cartas são (...)
18.11.25

A refeição preparada para o ...


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A charneca está brilhante, as gotículas de água estão em todo o lado, beneficiando o viajante das viagens e andanças. Não é o país das maravilhas, mas podia ser, cintilante, com histórias para todos na biblioteca ambulante. As pessoas nas aldeias da minha terra não desistem de colher a azeitona, após a paragem forçada, provocada pela visita da Cláudia, os panos verdes voltaram a rodear as oliveiras. Os homens e as mulheres chicoteando com as varas os ramos, agora, com a (...)
30.10.25

Morreram, trabalham longe da aldeia...


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O dia corre abatido, como as águas do rio, pardacentas, a passarem debaixo da ponte. Passagem usada pela biblioteca ambulante nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Até a aldeia parece moribunda, se não fosse o vento a agitar as folhas das árvores, diria que estava perante um cenário de um filme, onde personagens, e figurantes, aguardam pelo retomar das filmagens. As paredes brancas das casas, dos muros, são a única cor, um sinal, que não estão (...)
17.09.25

A maldição é uma ...


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O período que antecede eleições autárquicas é mágico, num abrir e fechar de olhos as ruas e estradas surgem alcatroadas aos pneumáticos da biblioteca ambulante. J. K. Rowling não foi tão célere a escrever os possíveis 2.500 caracteres na primeira página das aventuras de Harry Potter. Numa história onde abundam palavras mágicas, estas não fazem sequências mágicas na elaboração da obra literária, como vejo na arte da ilusão autárquica. Feitiços articulados com (...)
29.08.25

As enormes nuvens despedaçam-se ...


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E não é que o verão baixou as suas defesas, o inverno, esteja lá onde estiver, conseguiu colocar um padrão. Marcando a posse, do tempo, que irá acontecer dentro de alguns meses, de vestirmos camisolas de malha, calças, como estou a usar hoje de manhã. A anexação pela madrugada dentro, apanhou desprevenido o verão, só agora, observando o céu, está a repelir a sombra que tem pairado nas aldeias da minha terra. A meio da manhã, o vale abre os olhos, no rádio a voz da Lola (...)
03.07.25

A expressão no rosto das ...


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A nuvem de poeira persegue o tractor a fresar a terra, assim como o passado não deixa para trás as memórias. Partilhadas sempre que uma história é lida em voz alta para uma plateia atenta, seguindo o destino das palavras soletradas. A terra ao redor das aldeias da minha terra, transformou-se num mar de palha, cheio de ondas amarelas, de experiências anteriores, manifestando-se à tona do tempo. A expressão no rosto das mulheres, torna-me dependente, sujeito a biblioteca ambulante (...)