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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

19.11.25

O livro é uma espada tocando-lhes ...


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Foi muito longo o tempo que o sol demorou a sair da incerteza em que estava mergulhado. As aldeias da minha terra, encantadas, misteriosas, quando as brumas assentam no território onde a biblioteca ambulante é rainha. Uma lutadora incansável, a combater a iliteracia, a solidão, são várias as lutas diárias, onde se ganha e perde. Conquistou leitores, sem desistir, continua, adaptando as histórias ao quotidiano das pessoas das aldeias. Na sua corte todos são bem vindos, ouvir os (...)
14.10.25

A teimosia do calor ...


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Outro dia soalheiro ajudando aqueles que desempenham os trabalhos no campo. Cortam-se troncos, ramos espessos, transformando-os em lascas de lenha. Utilizadas na lareira, aquecendo os lares nos dias frios do inverno, mesmo nos mais agrestes que o outono também traz. Nestes dias o fogo é rei, dá ordens para que o alimentem, mantendo assim a festa, as faúlhas dançando, ao som, dos ritmos dos estalidos da lenha. O silêncio é quebrado pelo barulho da combustão, o clarão é uma (...)
01.09.25

Aos olhos do gato ...


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Não há velhos sentados nos bancos de pedra, no largo da aldeia. O miar do gato não é pacífico, saí-lhe da parte mais profunda do ventre. Faz saber no largo, a insatisfação pela insensibilidade da ausência de calor. Na aldeia o frio  sobrepõe-se cada vez mais ao entusiasmo, neste lugar. A impaciência do gato é audível na biblioteca ambulante, perturba as personagens das histórias. Não há leitores para os ler, o ar frio está vivo e forte na aldeia. A aldeia é um assento (...)
16.05.25

O verão chegou ...


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Foram alguns meses a transitar na estrada a levar a biblioteca ambulante, às aldeias das Bicas e Vale de Açor, a passar por cima de pequenas partes, desta, em muito mau estado. Finalmente, hoje foi com satisfação que a biblioteca ambulante, a transpôs, sem estar ainda concluída a intervenção necessária, mas, a progredir para contentamento dos fregueses, e do viajante das viagens e andanças. Não fosse as pessoas destas aldeias a reclamarem, as deformações estariam por reparar, (...)
28.04.25

Afinal, as aldeias possuem...


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Sem luz, os leitores na aldeia continuam a entrar na biblioteca ambulante, não é complicado viver sem energia artificial. Na horta, há legumes e hortaliça, têm galinhas, ovos, e coelhos, no galinheiro, na coelheira, poços abastecidos pelas rede de canais subterrâneos, alimentados pela infiltração da água das recentes chuvas. Lêem sob a iluminação dos antigos candeeiros a petróleo, ou recorrem a velas de cera, caso a energia eléctrica não tenha sido reposta. Afinal, as (...)
28.11.24

Sentem a liberdade que não ...


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Os prados verdes são as folhas onde os homens nas aldeias escrevem as páginas das suas vidas. Obras literárias que alimentam a imaginação daqueles que nunca saíram das grandes cidades. Lêem, saboreando com curiosidade cada palavra nas páginas, escritas pelos homens das aldeias da minha terra, nas folhas. Sentem a liberdade que não têm na cidade, sempre que as apreciam. Soltam-se os odores, fumegam no espaço das refeições, alegres, tristes, solitários, oriundos da leitura, da (...)
26.09.24

Andamos assim às turras com ...


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Na aldeia das Bicas, o sol rompeu com o cinzentismo dominante desde que o dia amanheceu. Uma revolução celestial que terminou de vez, na aldeia, com a opressiva pluviosidade. A biblioteca ambulante tem as suas portas abertas de par em par, sem condenações ou repressão social. Todos podem aproximarem-se, entrarem, sem se molharem no exercício livre da leitura. A primeira metade do dia foi bastante opressiva, a chuva não permitiu quaisquer ligeirezas, naqueles que gostam de ler. Não (...)
09.09.24

Ondas de perfume invadirão ...


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Manhã tranquila com temperatura amena, sem nada a acontecer na aldeia do Vale de Açor. Vozes distantes chegam à biblioteca ambulante, os sons domésticos intervêm de vez em quando, superando os primeiros. A serenidade está em todo o lado, no temperamento dos homens que vigiam a floresta, nos que trabalham no corte da lenha, naqueles que conduzem veículos pesados a transportar madeira. Até agora, o silêncio consegue ouvir-se melhor que os outros, a sua presença é permanente na (...)
21.08.24

As páginas não tinham ...


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 Desvio o olhar para o horizonte e vejo a esperança como uma linha ténue, regresso com o mesmo olhar desesperançado ao ponto de partida. Vejo à minha frente uma leitora desesperada procurando numa revista desenhos com rendas que nunca tenha experimentado ainda. Só pode ser fantasia da minha mente, não é, ela está mesmo aqui defronte do rosto surpreendido, do viajante das viagens e andanças. Na penumbra, inspeccionou várias revistas, falou sozinha, falou com as histórias, (...)
01.08.24

As árvores acenam ...


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As árvores acenam, alegres, o regresso da biblioteca ambulante às aldeias da minha terra. As histórias não esperavam encontrar a frescura que se faz sentir ao longo do dia. O viajante das viagens e andanças não reclama sobre o calor. Nas primeiras horas, os leitores recusaram estar presentes na biblioteca ambulante. A interrupção prolongada, apesar de saberem, possuírem o horário, quebra hábitos, deixaram de ver, de ouvirem dizer, da passagem da biblioteca ambulante nas (...)