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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

22.Jun.22

Ler na praia, ou debaixo. do telheiro...

historiasabeirario
A manhã está refém das nuvens cinzentas, destacam-se as ervas secas, carregadas de um amarelo forte, o contraste é bonito de se ver ao longo da estrada que leva a biblioteca ambulante. Só a chuva se ouve a bater fortemente, as histórias estão assim sequestradas pela intempérie na aldeia da Atalaia. Os leitores que gostam de ler na praia fluvial, ou debaixo do telheiro ao final da tarde ao mesmo tempo que se refrescam com uma cerveja, não virão com esta massa de água a (...)
30.Mai.22

O som melodioso do canto dos pássaros...

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A chuva regressou, com a temperatura a recuar hoje de manhã na aldeia do Souto. As folhas das árvores um pouco agitadas perante a incredulidade do tempo, e o som melodioso do canto dos pássaros são únicos no largo onde está a sede da Sociedade Recreativa e o Centro de Dia da aldeia. Ninguém atravessa o lugar, a curiosidade não os despertou, como aconteceu noutros momentos, na presença da biblioteca ambulante. Advinho que as histórias não vão ter o calor das mãos dos leitores (...)
11.Mai.22

Na companhia das sardinheiras....

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  Aproveitando a sombra da árvore, na companhia das sardinheiras, flores que dão o mote na primavera na cidade de Abrantes e aldeias da minha terra. As viagens e andanças ficam ornamentadas, as histórias estão mais cheirosas, a biblioteca ambulante um canteiro. Está composto o ramalhete para que o dia tenha leitores, (...)
21.Abr.22

Um longo percurso...

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A transparência da manhã está a terminar com a chegada do manto cinzento a cobrir a totalidade daquele que seria um dia brilhante. Na rua, duas mulheres conversam junto do mercadinho da Ilda, outra que por aqui passou, próximo da biblioteca ambulante, meteu conversa, os casos de covid, a guerra da Ucrânia apoquentavam-na, ambos estão a estragar o resto dos anos que lhe faltam. As pessoas andam atentas, vêm e ouvem notícias, perderam a desconfiança, entram na biblioteca, escolhem (...)
01.Abr.22

Que estivessem sempre...

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A pouco e pouco a primavera instala-se, a charneca expõe a sua paleta de cores, modificando a paisagem. As viagens e andanças com letras, têm agora outra impressão, existe mais ilustração, as histórias acontecem com novas essências, com um estímulo mais sarapintado. As flores silvestres mostram-se vaidosas à biblioteca ambulante, ladeiam as estradas estreitas que levam as histórias e as pessoas às aldeias e lugares da minha terra. Dão esperança aos que habitam por aqui, (...)
15.Mar.22

A poeira entranha-se...

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A poeira teima em tornar menos límpidas as terras mais elevadas situadas a norte das viagens e andanças com letras. Não chove como aconteceu no dia de ontem, nem o frio consegue representar um papel de destaque, a manhã está perfeita, crescendo no meio da cantoria dos pássaros. No Souto, formando um pequeno círculo, um grupo de homens estão conversando. Têm tempo em abundância, o jornal que o viajante das viagens e andanças lhes entregou é lido com outra disponibilidade. Não (...)
24.Fev.22

É nas bibliotecas...

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O dia amanheceu cinzento, a Europa está a ser violada nos seus direitos mais básicos humanos, a Ucrânia está a ser invadida pela Rússia. Um miserável, não tenho outra expressão para o referir, o homem que ordenou o ataque a território ucraniano. O conceito de justiça em Putin, em educar o seu povo na sociedade actual não acontece, pelo contrário endurece-o no mal. A inquietação não é generalizada nas viagens e andanças pelas aldeias da minha terra, o quotidiano (...)
07.Dez.21

Correram para os jornais...

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  Correram para os jornais como se não chegassem para todos, a Bola foi a primeira a ser alcançada, talvez fosse a mais disputada. Não era nenhum jogo de futebol, muito menos uma bola de rolar no pelado, cujas balizas não têm rede e estão um pouco ferrugentas por não haver jogadores na aldeia. Habitantes também já houve mais, alguns reúnem no café da associação e demonstraram que estão em forma para ler os jornais e revistas que são colocados e distribuídos numa mesa e (...)
07.Dez.21

Meia dúzia de passos...

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  A chuva é fugaz esta manhã, miudinha como alfinetes a chocarem no para-brisas da biblioteca ambulante. O café quente do termo é um conforto para o viajante das viagens e andanças, proporciona-lhe determinação para o resto do dia que aí vem. Persistir face à possibilidade de insuficiência de leitores, os indícios não estão animadores perante a cara do dia. Não está doente, mas está choramingas, as pessoas assim não saem de suas casas. No conforto das lareiras e dos (...)
21.Jun.21

Uma benção...

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Regressar à estrada, tornar a esvaziar o tinteiro da caneta nas "Histórias à beira rio", retomar engrenagens nas viagens e andanças com letras, atravessar e permanecer nas aldeias, falar com as pessoas. Foi o que aconteceu hoje no primeiro dia de verão, apesar da visita da chuva de manhã na aldeia do Souto. Uma benção para o viajante das viagens e andanças, podia estar sempre assim, a levar histórias, implicado nesta temperatura amena. Na Atalaia o quotidiano não se alterou, (...)