Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

O barulho é ensurdecedor, o espaço exterior do infantário é o estaleiro das obras necessárias à reabilitação do mesmo. Amontoam-se resíduos de alvenaria, e outros materiais obsoletos, ampliam-se as salas, dão-se condições melhores para as crianças, professoras e auxiliares. A biblioteca ambulante complementa a necessidade literária nos dias da visita à vila do Tramagal. Não é uma estranha aos olhos dos miúdos, conhecem-na, frequentam-na, estão habituados a retirarem (...)
A torrente das águas do rio Tejo, corre desembaraçada para jusante, ao lado do Tramagal, em direcção a Lisboa. Águas castanhas lambendo as margens, as bordas de um prato com vestígios de algum arvoredo destruído pelas intempéries do inverno. A natureza renovando-se como pode, aproveitando oportunidades, assim fossem as pessoas, agarrarem as histórias na presença da biblioteca ambulante nas aldeias. Tramagal aqui tão perto de Abrantes, à vista desarmada, mas distante nas (...)
Estou curioso em saber quantos leitores estarão na biblioteca ambulante, o céu farrusco, a temperatura baixa, é o cenário desta tarde nas viagens e andanças. No Tramagal tenho leitores sempre presentes todas as vezes que a biblioteca ambulante permanece defronte da Junta de Freguesia. Aqui, as histórias andam sempre numa roda viva, entram e saem a toda a brida, sempre, em primeiro lugar, com a avaliação do bibliotecário.  Olho para o resto da folha em branco, tenho de escrever o (...)
A temperatura fria expressa-se pela tarde dentro no Tramagal. Suponho que o restante dia nas viagens e andanças traga leitores. O toque da campainha da escola terminou, a saída dos alunos está breve. Vejo a primeira leitora a aproximar-se, as pesquisas das histórias para levar são sempre minuciosas, não vá ficar a leitura incompleta. No início a acção enche-se sempre de promessas, depois a vontade esfuma-se no meio das páginas cheias de palavras que não demonstram qualquer (...)
A pequenada está atenta ao que a professora diz, apontando ao mesmo tempo para o topo da árvore sob a qual estão todas observando as folhas. Daqui a pouco estarão todas no interior da biblioteca ambulante a misturar as histórias. A prepararem a salada composta por enredos diversos,  de palavras e figuras, pessoas, animais, casas, nuvens, estrelas, e muitas mais, envolvidos em camadas coloridas. Depois, quando se forem embora, para a sala de aula, é a vez do viajante das viagens e (...)
As nuvens cinzentas ameaçam desabarem, navegam em cima das  nossas cabeças. Impulsionadas pelo vento são incapazes de despejarem  a água que transportam, por enquanto, até a sua velocidade diminuir. O outono, precipita-se surpreendentemente neste início do mês, designado por quem criou as normas meteorológicas, a estação após o verão, ou estará iludido o viajante das viagens e andanças. Ao lermos histórias, constatamos no final destas, a variedade de mistérios, (...)
Não está no planeamento, uma e outra têm existências independentes, são guiadas para uma mesma direcção, as pessoas. Hoje encontraram-se ambas na aldeia do Crucifixo, vão estar juntas durante a tarde, segue-se a vila do Tramagal. A papelada e as histórias andam sempre desencontradas, a norte, e a sul do rio Tejo, pelas aldeias da minha terra, uma vez por outra descobrem-se uma à outra. Neste momento a Carrinha do Cidadão tem um freguês sendo informado sobre o assunto que o (...)
O verão entrou desajeitado dando sinais do que aí vem nos próximos meses, a frescura destes últimos dias está condenada a acabar. A primavera despede-se, desmanchando em lágrimas uma época de campos floridos, foram estas as palavras levadas pelo vento incansável a passar nos enredos da charneca, nas voltas nas margens dos rios, a trazerem novos leitores. Histórias novas caíram lagrimando o vidro grande da biblioteca ambulante, a primavera é pois um campo a germinar (...)
A chuva tem sido presença assídua ontem e hoje nas viagens e andanças pelas aldeias da minha terra, o frio numa postura invejosa colou-se-lhe, gerando desconforto e contestação nos leitores e nas pessoas em geral. Afinal o inverno não se afastou definitivamente, os impermeáveis, os casacos e camisolas mais confortáveis para o efeito voltaram a sair dos roupeiros, em simultâneo com o calçado adequado. A tarde amenizada pela temperatura alta convocou leitores, trouxe de volta a (...)
Quando me preparava para iniciar hoje a viagem, após ter estado no estabelecimento comercial onde a biblioteca ambulante adquire os jornais e revistas, sou abordado pelas vozes de duas leitoras que ocasionalmente por ali passavam. Acenavam a mencionar o meu nome e a perguntarem pela minha família, se eu estava bem. Os rostos sorridentes continuaram a caminhar na berma da estrada, ultrapassei-as a conduzir a biblioteca ambulante em direcção à primeira aldeia do dia a pensar nestas (...)