Ouvi-a a lamentar-se na rua, depois foi aproximando-se da biblioteca ambulante, falando em voz alta.- Ohh! Sr, João! Ohh! Sr. João! A minha filha morreu. Fiquei totalmente embaraçado, não esperava a entrada sobressaltada da leitora. Com os olhos lacrimejantes lá foi relantando o sucedido com a sua filha. Sabia desta morte, foi comentada na comunidade, publicada nas redes sociais, não sabia a relação de parentesco com a leitora. O primeiro momento foi de segurar a comoção, até (...)
A tarde abriu as páginas, deixando para trás o rosto cinzento da manhã, o princípio desta, as horas e minutos do tempo do período matinal, mostra agora palavras talentosas. Atingem os leitores, alertando-os da presença do sol na vila. Instiga-os a dirigirem-se à biblioteca ambulante, ao assador de castanhas, libertando fumo. O odor das castanhas assadas impregna o ar, entrando sorrateiro no espaço das histórias. À espreita, fazendo esforços para fugir da história, a Maria (...)
As nuvens sobrevoam aceleradas sobre a biblioteca ambulante, tapando o sol, o brilho feroz dos seus raios são lâminas afiadas, ferindo a vista quando o enfrento. Mas, quando um grupo de crianças entra na biblioteca ambulante, acompanhados pela professora, as nuvens voltam a encobrir o sol, dando a vez, há luz. Disseminada pelos olhares das crianças na direcção da professora, explicando a disposição das histórias na biblioteca ambulante. Depois, sentam-se no chão, cada um com a (...)
A copa das árvores estão agitadas, o calor faz-se sentir quando atinge quem se expõe aos raios certeiros. A tarde convive com as pessoas, sentadas na esplanada do café, caminhando na rua, rumando em direcções diferentes. O outono está brincalhão, percorre o dia alegre, seduz-nos com o brilho do sol. A biblioteca ambulante está enamorada pelo outono, abriu as portas, escancarou-as, mostra a sua intimidade. Despiu-se, tem à vista as histórias, prazenteira, permite aos (...)
Hoje, a tarde pode servir de modelo a todas as outras no verão, o que não acontece infelizmente pela alteração climática. Está agradável, o vento é delicado, o calor suportável, a esplanada do café, abastada de pessoas. As vozes ouvem-se na biblioteca ambulante, não muito longe do lugar, dos chapéus de sol, gigantes, para proteger os clientes. Na rua, transitam de bicicleta, de trotineta, a caminhar, vejo-os a circular na mecha, com os olhos fixos na rua. Sem desviarem o rosto (...)
A temperatura por enquanto mantêm-se equilibrada, ao contrário dos dias anteriores, em que o período da manhã caminhava a passo largo aos 30º. Felizmente, um vento leve vindo não sei de onde, permite uma manhã discreta, o desembaraço das histórias. A visita dos miúdos do infantário, estimulados, por saberem que irão arrancar palavras ainda ilegíveis. Agarrarem nas histórias, comunicarem entre uns e outros, vendo as imagens impressas, imaginando, revelando as suas (...)
Nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, não há monotonia, as flores silvestres abeiram-se da estrada, inundando o destino das histórias, de cores, acenando à biblioteca ambulante. Há curvas e contracurvas em direcção à vila do Tramagal, curvas apertadas, curvas abertas, onde passam as histórias. Onde deslizam mãos nas páginas dos livros, derrapando no corpo de uma mulher, poema, onde perdemos o discernimento, em cada uma das linhas, da silhueta (...)
O tempo envelheceu outra vez, o frio gosta de deambular na charneca, pelas aldeias da minha terra, nos sítios onde a biblioteca ambulante aguarda os leitores. Neste momento, depois de ter ido tocar à campainha do infantário, chamar os meninos para visitarem as histórias. Um pequeno grupo a gozar férias no ATL, aproxima-se com a responsável pela custódia deles. Sentam-se no chão, abrem as páginas perseguindo as letras, decifrando as palavras. Não são acanhados, aventuram-se na (...)
Sob a pressão da manta de histórias, a biblioteca ambulante fez-se à estrada após o almoço do viajante das viagens e andanças. Nas curvas, na estrada, a ziguezaguear em direcção à vila do Tramagal, as histórias mais distraídas caiam das estantes mais elevadas. Não podia desviar o olhar da estrada, atormentado moralmente, sem saber o estado dos personagens, se as letras se desligaram da acção das histórias. Nem sempre acontece esta desgraça, tento que aconteça cada (...)
Os ribeiros andam arrebatados pela água abundante que caí do céu, irreflectidamente, saltam margens, brincam ingenuamente sem avaliar as consequências. O mesmo não acontece com os leitores, a violenta depressão meteorológica retém-os nas suas casas, não se atrevem, vir ao encontro das histórias. Estas permanecem no mesmo lugar, nas estantes, olham para mim inofensivas, também eu estou anulado. Inquieto, a vigiar, o que pode sair do interior das páginas sem movimentos, alguma (...)