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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

27.11.25

Sente-se sozinha estando acompanhada ...


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Ouvi-a a lamentar-se na rua, depois foi aproximando-se da biblioteca ambulante, falando em voz alta.- Ohh! Sr, João! Ohh! Sr. João! A minha filha morreu. Fiquei totalmente embaraçado, não esperava a entrada sobressaltada da leitora. Com os olhos lacrimejantes lá foi relantando o sucedido com a sua filha. Sabia desta morte, foi comentada na comunidade, publicada nas redes sociais, não sabia a relação de parentesco com a leitora. O primeiro momento foi de segurar a comoção, até (...)
10.11.25

A Maria Castanha sacode ...


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A tarde abriu as páginas, deixando para trás o rosto cinzento da manhã, o princípio desta, as horas e minutos do tempo do período matinal, mostra agora palavras talentosas. Atingem os leitores, alertando-os da presença do sol na vila. Instiga-os a dirigirem-se à biblioteca ambulante, ao assador de castanhas, libertando fumo. O odor das castanhas assadas impregna o ar, entrando sorrateiro no espaço das histórias. À espreita, fazendo esforços para fugir da história, a Maria (...)
22.10.25

Conhecendo a História ...


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As nuvens sobrevoam aceleradas sobre a biblioteca ambulante, tapando o sol, o brilho feroz dos seus raios são lâminas afiadas, ferindo a vista quando o enfrento. Mas, quando um grupo de crianças entra na biblioteca ambulante, acompanhados pela professora, as nuvens voltam a encobrir o sol, dando a vez, há luz. Disseminada pelos olhares das crianças na direcção da professora, explicando a disposição das histórias na biblioteca ambulante. Depois, sentam-se no chão, cada um com a (...)
26.09.25

A leitura fica mais ...


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A copa das árvores estão agitadas, o calor faz-se sentir quando atinge quem se expõe aos raios certeiros. A tarde convive com as pessoas, sentadas na esplanada do café, caminhando na rua,  rumando em direcções diferentes. O outono está brincalhão, percorre o dia alegre, seduz-nos com o brilho do sol. A biblioteca ambulante está enamorada pelo outono, abriu as portas, escancarou-as, mostra a sua intimidade. Despiu-se, tem à vista as histórias, prazenteira, permite aos (...)
21.08.25

Sem desviarem o rosto ...


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Hoje, a tarde pode servir de modelo a todas as outras no verão, o que não acontece infelizmente pela alteração climática. Está agradável, o vento é delicado, o calor suportável, a esplanada do café, abastada de pessoas. As vozes ouvem-se na biblioteca ambulante, não muito longe do lugar, dos chapéus de sol, gigantes, para proteger os clientes. Na rua, transitam de bicicleta, de trotineta, a caminhar, vejo-os a circular na mecha, com os olhos fixos na rua. Sem desviarem o rosto (...)
23.06.25

São pequenos passaritos ...


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A temperatura por enquanto mantêm-se equilibrada, ao contrário dos dias anteriores, em que o período da manhã caminhava a passo largo aos 30º. Felizmente, um vento leve vindo não sei de onde, permite uma manhã discreta, o desembaraço das histórias. A visita dos miúdos do infantário, estimulados, por saberem que irão arrancar palavras ainda ilegíveis. Agarrarem nas histórias, comunicarem entre uns e outros, vendo as imagens impressas, imaginando, revelando as suas (...)
07.05.25

Onde deslizam mãos nas páginas ...


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Nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, não há monotonia, as flores silvestres abeiram-se da estrada, inundando o destino das histórias, de cores, acenando à biblioteca ambulante. Há curvas e contracurvas em direcção à vila do Tramagal, curvas apertadas, curvas abertas, onde passam as histórias. Onde deslizam mãos nas páginas dos livros, derrapando no corpo de uma mulher, poema, onde perdemos o discernimento, em cada uma das linhas, da silhueta (...)
15.04.25

Oxalá no futuro os ...


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O tempo envelheceu outra vez, o frio gosta de deambular na charneca, pelas aldeias da minha terra, nos sítios onde a biblioteca ambulante aguarda os leitores. Neste momento, depois de ter ido tocar à campainha do infantário, chamar os meninos para visitarem as histórias. Um pequeno grupo a gozar férias no ATL, aproxima-se com a responsável pela custódia deles. Sentam-se no chão, abrem as páginas perseguindo as letras, decifrando as palavras. Não são acanhados, aventuram-se na (...)
27.03.25

Felizmente está tudo bem ...


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  Sob a pressão da manta de histórias, a biblioteca ambulante fez-se à estrada após o almoço do viajante das viagens e andanças. Nas curvas, na estrada, a ziguezaguear em direcção à vila do Tramagal, as histórias mais distraídas caiam das estantes mais elevadas. Não podia desviar o olhar da estrada, atormentado moralmente, sem saber o estado dos personagens, se as letras se desligaram da acção das histórias. Nem sempre acontece esta desgraça, tento que aconteça cada (...)
10.03.25

Uma raposa a fugir de ...


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Os ribeiros andam arrebatados pela água abundante que caí do céu, irreflectidamente, saltam margens, brincam ingenuamente sem avaliar as consequências. O mesmo não acontece com os leitores, a violenta depressão meteorológica retém-os nas suas casas, não se atrevem, vir ao encontro das histórias. Estas permanecem no mesmo lugar, nas estantes, olham para mim inofensivas, também eu estou anulado. Inquieto, a vigiar, o que pode sair do interior das páginas sem movimentos, alguma (...)