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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

27.Set.22

Outra vez traído pela vontade ...

historiasabeirario
A cor dourada da manhã não estimula os leitores saírem de suas casas, talvez o bafo frio do vento os retenha. Enganei-me, a carrinha da padeira a buzinar ruidosamente, ainda não tinha alcançado as primeiras casas da aldeia, retirou imediatamente alguns de casa. Outra vez traído pela vontade da presença de amantes da leitura, logo estes não se prendem às histórias para manterem a estabilidade emocional. Com os sacos presos nas mãos, não vá a aragem endiabrada levá-los, (...)
08.Set.22

Único leitor da aldeia ...

historiasabeirario
Todas as vezes que chego à sua aldeia, está sempre sentado com o saco das histórias aos seus pés, encontro-o com o tronco curvado e olhar errante, quase sempre é esta a postura. Hoje cheguei primeiro, entra colocando o saco no pequeno balcão, imediatamente retira o cartão de leitor, como se não soubesse eu o nome do único leitor da aldeia, dirigi-se para as histórias como quem vai à fonte matar a sede. O assunto da conversa é sempre a horta, a escassez de chuva  para (...)
02.Ago.22

Parecia que aquelas pequenas luzes...

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O homem velho estava com  um  olhar radiante, manobrava o volante da biblioteca ambulante tentado estacionar o melhor possível, logo ali na entrada da porta da sua casa os seus olhos cintilavam. Parecia que aquelas pequenas luzes me queriam iluminar o local onde iria demorar-me. Ao lado, a sua filha sentada, deduzi que as férias a tinham trazido à aldeia visitar o pai. Lembrei-me da conversa que tinha tido com ele na última presença da biblioteca ambulante na aldeia, a sua mulher (...)
27.Jun.22

Mais próximo de quem lhe enviava a saudade...

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O Ti Chico comprava pão, ao mesmo tempo questionava o padeiro se queria comprar mel, tem para cima de cem colmeias, segundo ele. Ouviu do padeiro que o avô praticava o mesmo ofício, não conseguindo concretizar um possível negócio. Na aldeia as manhãs no largo são sempre assim, sentadas, as pessoas esperam pelo homem que traz o pão. A biblioteca ambulante não tinha calado o motor e o viajante das viagens e andanças já tinha descoberto a existência de um furo num pneu. A sorte (...)
02.Jun.22

Não há leitores para levar histórias...

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A padeira não demorou muito tempo, após a biblioteca ambulante a ter ultrapassado, não houve corrida nenhuma, uma mulher com um andamento pesaroso vai na direcção do largo. Pouco depois juntaram-se mais, a padeira estacionou, como se tivessem molas a impulsiona-las, levantaram-se ao mesmo tempo com os sacos na mão. Rapidamente ficaram cheios de pão, voltaram a sentar-se, segundo elas houve orvalhada pela madrugada, uns chuviscos fizeram a sua aparição sem molharem a terra (...)
13.Mai.22

Onde andarão todos...

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A sombra da laranjeira não alcança a biblioteca ambulante, estacionada no pequeno largo na aldeia do Tubaral. Isto é, são as únicas que ocupam o espaço, não há ninguém por perto a não ser um cão empoleirado no muro que ladra desalmadamente ao viajante das viagens e andanças. Um estranho próximo do limite do lugar que protege, num veículo cheio de histórias, aos olhos do animal é muito diferente daquilo a que está habituado a presenciar. As mulheres que sempre estão aqui, (...)
05.Abr.22

A necessidade do pão...

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O açoite do vento não é violento como o que ocorreu ontem, embora tenha momentos em que perde a calma puxando o ar frio novamente. Só a paragem da padeira tirou as pessoas de casa, a biblioteca ambulante, estacionada no Largo de S. João de Brito na aldeia do Tubaral, onde tudo acontece, não tinha sequer visto um gato. A buzina estridente alertou as pessoas, apressadas, tremendo de frio, chegaram junto da carrinha da padeira e das histórias. A necessidade do pão, trouxe o apetite (...)
17.Mar.22

Palavras que gostaram de experimentar...

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Sem contemplações o vento expulsou a poeira, a nitidez está a regressar à normalidade. Na planície a manada não demonstra interesse naquilo que a envolve, com o focinho  e o olhar pousado na erva, avançam pela terra plana como se fossem cortadores de relva. Irrompendo com intervalos de curta duração o sol esforça-se para abrir à força a cápsula que cobre a aldeia, mas não passa disso mesmo, a densidade da cobertura é resistente. A tarde progride vagarosamente, as (...)
28.Fev.22

Prego a fundo...

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Prego a fundo, foi assim que a biblioteca ambulante desta vez percorreu a distância de Abrantes a Monte Galego, um traço de auto-estrada impeliu um pouco mais as histórias a chegarem ao destino. A dúvida instalou-se na chegada à povoação, no local onde sempre se demora um pouco, a biblioteca ambulante, as histórias e o viajante das viagens e andanças, sondaram se o José teria estado a aguardar ou desanimado tenha saído inconsolável na direcção da sua casa sem as histórias. (...)
09.Fev.22

A leitura ficará para mais logo...

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Debaixo da sombra da laranjeira, debruçado, folheando o jornal, focado nas letras maiores. A leitura ficará para mais logo, quando houver mais vagar do que aquele que tem neste momento. Já ali estiveram as mulheres sentadas, foi mais cedo, aproveitaram o sol aguardando a carrinha do padeiro. Aviadas com os sacos cheios de pão foram dali para fora, as panelas e os fogões não podem esperar muito, os refogados são fáceis de estorricar e quando se encontram umas com as outras há (...)