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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

16.Mar.23

São lugares de saberes ...

historiasabeirario
  No largo, a biblioteca ambulante e o banco de alvenaria são lugares de saberes, ambos são procurados na aldeia. Diferentes na obtenção e nos assuntos, optei pelo segundo a ouvir o Francisco enquanto esperava a padeira. Homem de noventa anos, segundo ele ainda há meia dúzia de pessoas na aldeia,  as mulheres estão em casa, os homens trabalham. A mercearia e o café fecharam, influência da pandemia, abalaram as pessoas que frequentavam os estabelecimentos, no verão à noite (...)
27.Fev.23

O coreto no centro do ...

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Hoje trago roupa suficiente para enfrentar o ar gelado nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Os constantes avisos meteorológicos na rádio, na televisão, avivaram-me, logo de manhã quando pus os pés no chão frio do quarto pensei primeiro na roupa que teria de usar, um escudo eficaz, oponente ao excesso de frescura. Neste momento no meio termo do dia,  a camisola de gola alta, de lã (até às orelhas) que envergo, faz-me lembrar que estou dentro de um (...)
07.Fev.23

Com a cumplicidade ...

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Uma caravana de nuvens  esconde sem pressa o céu azul, está assente o regresso da chuva ao território das viagens e andanças com letras. O pequeno largo acolhe a biblioteca ambulante, a padeira pouco se demorou, dois clientes, partiu a tocar a buzina, a despertar os mais distraídos que o pão está de passagem. O frio não traz ninguém para a rua, há bem poucos dias andavam os velhos nas hortas, ao sol, sachando, plantando couves. Penteavam a terra com as enxadas, a pouca força (...)
19.Jan.23

Dois cães ladram ...

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De manhã a mão direita estava atordoada, não obedecia ao impulso de querer rabiscar qualquer coisa, o frio atrasava os movimentos. Este não retardou as leitoras, numa azáfama a explorarem histórias que lhes dêem condimento e sabor, a leitura é um prato para ser consumido com prazer. A tarde trouxe ideias para continuar a escrever, o sol está receoso, as nuvens ao largo não o deixam sossegado, a qualquer momento poderá ser absorvido por estas. As mulheres na rua andam (...)
02.Jan.23

Em Troia ...

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Alguns dias de descanso bastaram para causar um engano no itinerário no primeiro dia das viagens e andanças. A resposta da biblioteca ambulante, em pouco tempo, atravessou aldeias, possivelmente a fomentar interrogações nos leitores que a possam ter avistado nas suas aldeias, rápida a furar a espessa névoa nalgumas zonas, a estender a aceleração nos vales para se obstringir na charneca perante as imagens pouco claras das árvores que se aproximavam da estrada de uma maneira (...)
13.Dez.22

Este desembaraço do rio ...

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Os campos acumulam charcas instantâneas onde as cegonhas se recreiam, as bermas que ladeiam a estrada levando a biblioteca ambulante não conseguem suster a água, atravessando a mesma sem vergonha ao ponto de a submergir. As ribeiras transformaram-se nos rápidos do Grand Canyon. A charneca é uma cascata enorme, a água brota em todo o lado, nasce do interior da terra, rasga trilhos, causando enormes fissuras longitudinais. Homens e máquinas não param, limpam os caminhos de água e (...)
22.Nov.22

A ausência e o frio ...

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A ausência e o frio são personagens que deambulam no largo, a chuva faz parte do lugar, depois há os papeis secundários. Um cão atravessa o largo velozmente em perseguição de um automóvel, advinho que o dono do mesmo saiu sem o convidar para o passeio. Este tendo em conta a desconsideração daquele que considerava ser o seu fiel amigo, não fez súplicas e desprende-se a correr no seu encalce. Os primeiros desta acção voltam a ter papel preponderante na história. Um ligeiro (...)
04.Nov.22

As letras adicionadas...

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O burburinho da chuva a cair na rua, sem poder abrir as portas da biblioteca ambulante, balançou-me a fazer parte das histórias. Invadir, trilhar as linhas imaginárias, onde as letras adicionadas às palavras criam frases, levando a acontecimentos. O dia cinzento tornou o espaço onde os livros estão dispostos mais obscuro. Intimista para incutir a abordagem com as diversas personagens, caminhando sem destino procurando imprevistos. Estar face a face com algumas figuras, obras da (...)
14.Out.22

Onde param as mulheres ...

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Onde param as mulheres sentadas no banco de alvenaria, sempre que a biblioteca ambulante permanece no largo São João de Brito. Onde estarão as leitoras e as que aguardam pela padeira diariamente, não podem ter desaparecido subitamente. O largo vazou, não há histórias para ouvir, para dar, o mexerico, motor da oralidade de lugares estará danificado, ou será apenas coincidência ter vindo à aldeia novamente e deparar com esta desocupação. As hortas neste princípio de outono (...)
27.Set.22

Outra vez traído pela vontade ...

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A cor dourada da manhã não estimula os leitores saírem de suas casas, talvez o bafo frio do vento os retenha. Enganei-me, a carrinha da padeira a buzinar ruidosamente, ainda não tinha alcançado as primeiras casas da aldeia, retirou imediatamente alguns de casa. Outra vez traído pela vontade da presença de amantes da leitura, logo estes não se prendem às histórias para manterem a estabilidade emocional. Com os sacos presos nas mãos, não vá a aragem endiabrada levá-los, (...)