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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

26.Jan.23

Não param, ...

historiasabeirario
O frio continua presente, os leitores também o atacam de frente usando as histórias como arma defensiva. Afastam este comportamento paralisante com a leitura, mantêm-se despertos, a decifrarem o conteúdo das histórias. Não param, vêm a biblioteca ambulante, abandonam tarefas, adoptam histórias, regressam novamente ao trabalho aspirando a noite chegar para cravarem os olhos nas páginas, na peugada das palavras, expectantes até terminarem a aventura. A tarde está prestes a ser (...)
09.Jan.23

Deseja ser uma estrela ...

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A chuva deixou de ser um problema, a tarde trouxe o sol, embora cercado, engolido esporádicamente por nuvens ávidas de esconder a luz brilhante que aquece os ossos fracos, fardos de uma vida de trabalho.  Não se cansam de ver o tempo a passar, sentados, de pé, apoiados nas paredes com  história, segredos de gerações, habitando nas ruas que afluem no largo. A biblioteca ambulante vai e vem como as nuvens, não quer mascarar a iliteracia, regressa sempre para revelar histórias com (...)
10.Nov.22

O sol trouxe pessoas ...

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O sol no largo do Cabrito está forte, as esplanadas dos cafés estão localizadas estrategicamente como as guaritas, vigiam quem atravessa ou permanece no espaço. Assim conseguem ter sempre gente, bebem café, fumam cigarros até à incandescência da chama. Falam sem parar, do desconhecido, das pessoas, olham o tempo a passar sem aproveitar a presença da biblioteca ambulante. Vozes imperceptíveis saem do café, querem fugir dali para fora, agarram-se aos ouvidos de quem por aqui (...)
29.Ago.22

Sobretudo, continuará a...

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Nas aldeias que se cruzam na passagem da biblioteca itinerante, as ruas mais importantes estão enfeitadas com fios que as  atravessam perpendicularmente de um lado ao outro. Nestes, triângulos coloridos, pendurados, seguidos uns aos outros, balouçam a informar os forasteiros que a aldeia está em festa. Muitas  destas ornamentações é o que fica dos festejos já realizados, sobrevivem as memórias dos dias alegres, dos filhos que estiveram presentes, dos desconhecidos que passaram (...)
20.Mai.22

Ganharam prazer...

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O ar quente apoderou-se das histórias no interior da biblioteca ambulante quando as portas se abriram. Pouco tempo se manteve cálido, ao entrarem as crianças trouxeram a frescura da idade,  sorrisos de ingenuidade, encheram o lugar de felicidade. As histórias não paravam de andar de mão em mão, grandes de mais para tamanha tarefa, tinham dificuldades em pesquisarem letras e palavras. A professora ajudava como podia, de um lado para o outro abrindo as histórias, libertando os (...)
12.Abr.22

A vontade de ler...

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Outro dia em que o sol brinca às escondidas nas viagens e andanças com letras, na aldeia do Brunheirinho um cão ladra desde que a biblioteca ambulante estacionou. A carrinha do padeiro passou perto, mais à frente uma mulher aguardava a sua chegada, recebe um saco com pão, ambos desapareceram quando voltei a olhar para o local. Com as histórias não é assim, a vontade de ler não é igual à vontade de comer pão, a biblioteca ambulante não é apressada, aguenta com tranquilidade (...)
24.Mar.22

O Neto também é um distribuidor de histórias...

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Hoje encontrei o Neto, colega dos tempos do liceu, já nos tinha-mos avistado noutras ocasiões, ao longe, acenando com a mão. Ele a conduzir a sua carrinha ambulante a vender enchidos, azeite , massas, fruta, dando um pouco de atenção aos velhos, auxiliando-os na entrega dos alimentos. Na biblioteca ambulante o viajante das viagens e andanças a levar histórias. Encontramo-nos na aldeia do Brunheirinho, ele atarefado com uma cliente, eu acreditando que apareça algum leitor. O Neto (...)
07.Mar.22

O mundo mudou...

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O mundo mudou, as viagens e andanças pelas aldeias da minha terra continuam inalteradas, a tranquilidade prossegue na estrada que leva as histórias. Os animais pastam indiferentes às máquinas agrícolas, conduzidas por homens sempre a olhar na traseira do tractor, adivinhando o que poderá ainda chegar do lugar onde se levanta o sol, esventram a terra sem humidade. Um homem arremessa sementes na terra, noutra outro atira bombas, a discordância entre o nascer e o morrer é (...)
11.Jan.22

Seria bom...

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Na charneca a névoa rompe por entre os sobreiros, mais à frente em campo desobstruído as  ovelhas pisam o chão gelado sem erguerem o focinho. A erva tenra não as demove, levam a eito o tapete natural, alguns leitores da biblioteca ambulante, quando pegam nas histórias e abrem as páginas são assim. Quando abrem as páginas das histórias, de rosto fixo na história, pegam nas palavras puxando-as, trazendo personagens, emoções, sentem prazer a  ler. Seria bom se todos (...)
20.Dez.21

Do que este abraço...

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No rádio toca " Shape of my heart " do Sting, um anestésico para a chuva que se manifesta de forma intensa, a viagem prossegue, no traço preto infinito que divide a planície onde cavalos e ovelhas indiferentes à passagem das histórias levam a eito a erva tenra do pasto. Repentinamente uma cegonha voando baixo, sobe como se estivesse numa pista de um aeroporto e se posiciona ao lado da biblioteca ambulante, batendo as asas paulatinamente, as histórias não podiam ter melhor (...)