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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

O frescor matinal entusiasmou os habitantes da aldeia de S. Facundo, a leitora habitual, num abrir e fechar de olhos renovou as histórias, o viajante das viagens e andanças escreve com agilidade a sua crónica. Querendo antecipar-se ao calor do meio-dia, os rostos sorridentes passam perto da biblioteca ambulante, mexendo as bocas, saudando o bibliotecário. Já se vindima na aldeia da Ribeira do Fernando, sei isto pela mulher de um leitor, pelo telefone disse-me que o Manuel não pode (...)
A vindimar histórias, um cacho, bago a bago, espremer até ao sumo, assim se devoram as histórias, as uvas. São horas em pé, apoiado sobre os calcanhares, de tesoura na mão, cortando o cordão que une o cacho à planta. Sentado, deitado, na postura que mais lhe servir, a separar, folha a folha, a ler a comprimir palavras e frases. Uns aproveitarão o líquido derivado das uvas espezinhadas, outros ganham saberes adquiridos na leitura. A simultaneidade é possível quando a (...)
  Não me lembro do último dia em que a chuva conviveu nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, com as pessoas, com as histórias. Desde madrugada está presente neste território, intervaladamente cai, com violência, com tranquilidade, afasta-se, volta outra vez sem se cansar. Uma exígua esperança paira nas gentes das aldeias, os terrenos agrícolas voltam a ter água, mas não chega, para devolver o que a seca arrebatou, teriam de ser muitos os dias ou (...)