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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

20.Jan.20

Texto da treta 7

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Nas últimas horas, o vento não se cansa de uivar na região onde se estendem as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. O sopro é de tal maneira intenso que aparenta estar sedento por alguma coisa, tal e qual os lobos quando esfomeados exploram florestas e charnecas tentando alcançar as suas presas. O seu temperamento violento revolta os cabelos de quem anda sem a cabeça abrigada na selva urbana escapando às máquinas motorizadas, fintando os alcaiotes. Arranca a roupa presa no estendal, despe a nossa vaidade. Um pesadelo para aqueles que enfrentam o alento de tão poderoso elemento, não há paralelo com outro sentimento. Só o amor tem tal intensidade, leva tudo à frente quando corre bem e quando corre mal. As histórias, também as levam o vento, de terra em terra, aos homens que têm raízes, que querem ler e aprender. Usam as palavras sem ofender, muitas vêm de outros continentes, escritas por gente ausente, por gente inteligente. O importante é que a cada instante a leitura se agigante, seja comentada, falada e bem tratada. Muitos só conhecem a enxada, escrevem com ela na terra, regos e pequenas covas, berços de sementes, camas de plantas. Nestes sulcos e pequenas valas crescerão hortaliças, vagens cereais e outras verduras. Sem saber ler o homem não deixa de viver, mas quer continuar a compreender, quer continuar a receber as histórias.

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