Todos sabem que existe, ...
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Nas aldeias da minha terra, o verão não é o mesmo, verão, onde se bebe limonadas, ou saboreia gelados, a vermos o mar. Aqui, existem oceanos de floresta a lamberem praias, plantadas de hortaliças e legumes. A terra ajuda, dá berço às sementes e plantas. Cava-se a terra para alimentar, não se constroem castelos de areia para desabarem debaixo das vagas trazidas pelo movimento dos ventos ou marés. O vento nas aldeias da minha terra, traz, a fúria dos homens, o fogo, destruidor de vontades, de sonhos, de vidas. Ao contrário dos castelos de areia, a capacidade da terra, os sistemas ecológicos, nas aldeias da minha terra, voltam a manifestarem-se. São como as pessoas deste território, reféns da interioridade, muito pior que o verão, são meses, anos contínuos debaixo do fogo de palha, do entusiasmo efémero, dos políticos, dos que assobiam para o lado, sempre que visitam o isolamento das terras do interior. Há demasiadas cadeiras vazias nas aldeias da minha terra, os velhos morrem, os novos emigram, escasso trabalho, a agricultura de subsistência não impulsiona mão de obra. A percepção da interioridade, é a mesma, de uma história mal arrumada, nas estantes de uma biblioteca. Todos sabem que existe, passam ao lado, nas estradas do desenvolvimento, mas não querem voltar a coloca-la no lugar certo. Abrir as suas páginas, ler de uma ponta a outra, tentar perceber e melhorar de uma vez por todas a qualidade do que é interior.