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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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O vento sacode a biblioteca ambulante, embala o berço das histórias, o mata-borrão que impede as palavras se dispersarem no papel, que não conhece ainda o amor de quem as escreve. A perpetuar acontecimentos, personagens, emoções, reunidos nas nuvens, impelidas com vigor pelo vento. Está frio, o odor a fumo vindo das chaminés impregna a aldeia das Bicas, a rapidez do ar incita as brasas nas lareiras. Torna os leitores mais ardentes, puxando-os há biblioteca ambulante, chegam enregelados, de rostos espavoridos, abraçando as histórias e o corpo ao mesmo tempo. Querem escolher histórias novas, colocarem-se o mais rapidamente defronte do bibliotecário, para terminarem a aprovação do empréstimo. Saem como se fugissem de um enredo diabólico, misturando-se no fumo pairando invisível no ar. Depois de arriscarem o confronto com personagens estranhas, e sem escrúpulos. Mesmo assim a curiosidade impele-os sempre a regressarem, de voltarem a explorarem páginas cheias de astúcias, de paixões abrasadoras, e aventuras nas regiões mais inóspitas que se possam conhecer. O vento ruge como um leão, não tem medo, é o rei da atmosfera, a sua força abre as portas aos saberes alheios, à intelectualidade. Afugenta os receosos e cobardes da verdade das palavras, que as usam com intuito de enganar ou iludir. Servem-se do passado no mau sentido, e não como uma lição para não se repetirem ideias egocêntricas. Da união de sociedades em torno das grandezas nacionais, da demolição de uma imprensa livre, ou da sociedade civil, adulterando a justiça nos seus próprios interesses.