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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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A chuva regressou dominada pelo medo, aconteceu durante a noite, caiu devagar, sem ruído, veio calçada com pantufas para não acordar ninguém. Umas horas depois voltou a surgir, desta vez veio zangada e permaneceu pouco tempo. A tarde na aldeia das Bicas está descontrolada no que diz respeito à temperatura. O vento frio, obriga o viajante das viagens e andanças a disciplinar a temperatura no interior da biblioteca ambulante, fechando as portas e a subir os vidros. As histórias começavam a tremelicar, as páginas não paravam quietas, com as letras quase a separarem-se das palavras. As copas da tília e do freixo orientam o sopro do vento na direcção do local onde o viajante das viagens e andanças, sentado, recebe os leitores. Um alvo imóvel na sua zona de conforto, dependente da vinda dos leitores para se movimentar, falar, orientar a leitura se precisarem. Ao longo da estrada, nas bermas, não foi o vento, mas uma máquina escavadora, arrancou brutalmente as ervas altas e rasteiras, manifestando vontade de proteger a mata onde predominam os eucaliptos. Também destrói as plantas selvagens, e a rica e vasta biodiversidade existente, impede a transferência do pólen, pelo vento, principalmente pelos insectos. É uma condenação, um recalcamento revelador de carência na ponderação. Há falta de leitura nos responsáveis que dirigem o património natural, as normas das florestas. Há panoramas diversos, há bibliotecas ambulantes, há histórias para aprendermos.

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