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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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O vento agita os panos, nas mesas onde estão outros panos. Toalhas, lençóis, soutiens, cuecas, meias, camisolas, calças e vestidos. Conjuntos, onde nos limpamos, tapamos, usamos diariamente para estarmos confortáveis, não andarmos nus, ou expostos dos contratempos do clima. Dos olhares fulminantes, ou libidinosos. Mulheres experientes não se cansam de observar a exposição da mercadoria, mexem e remexem, contornam ao tronco. Muitos alterados pelos partos, ou outras deformações. Não vejo chapéus do lugar onde estou, na biblioteca ambulante. Aqui as histórias são os chapéus, protegem, alertam, para problemas diversos, desafiam a superar, a continuarmos a evoluir. Todos devíamos usar chapéus, entraram alguma vez num chapeleiro, ou colocaram chapéus numa chapelaria de um restaurante, de uma discoteca, de um teatro ou cinema. Vamos imaginar a biblioteca ambulante uma chapeleira ou um chapeleiro, onde vêm entregar chapéus, ensaiar outros, há muitos para protegerem a cabeça. Há o Chapeleiro Louco, na história, Alice no País das Maravilhas, o chapéu de mosqueteiro do Gato das Botas Altas. Depois vêm os chapéus, do Sherlock Holmes, imortalizado nas histórias de detectives de Arthur Conan Doyle, o chapéu do personagem Gandalf nas obras O Senhor dos Anéis, escritas pelo J. R. R. Tolkien. Ainda há o chapéu da Willy Wonka, personagem da história Charlie e a Fábrica de Chocolate. Ou o chapéu mágico Seletor que pertenceu a Godric Grynffindor, nas histórias de Harry Potter. Na biblioteca ambulante, todos eles são mágicos, pois, quem os colocar na cabeça irá renascer nas personagens das histórias. Viverá num corpo diferente, assumindo paixões e desilusões. Tirará da cartola arte para agir, produzindo fascínio de forma inexplicável naqueles que não querem ler. A biblioteca ambulante é um teatro, um espaço que serve de cenário durante a rodagem de filmes. Um local de verdades, de mentiras, de simulação literária. Onde podemos ter vontade, ter faculdade, ter razões para sermos felizes na casa dos sonhos.

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