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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

23.Out.18

Viagem a pé pela Rua Nova

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Pela manhã entrei na Rua Nova, pelo Largo da Ferraria uma das entradas da cidade na zona norte, a segunda rua de Abrantes como referiu o padre Luís Cardoso. Eduardo Campos na Toponímia Abrantina editada em 1989, escreve de que à falta de outros documentos o toponimo é confirmado a partir de 22 de Abril de 1321. E que em 1707 a rua tinha 17 moradores fintados de entre os quais constam quatro mareantes, um carreteiro, 4 hortelãos, 4 almocreves, e um 1 desembargador. O sossego da rua leva-me a reflectir como seria no passado ou ainda mais atrás, onde só a fortaleza se destacava, o ruído do ferro das espadas embatendo umas nas outras nas disputas, como viveriam as pessoas da rua. Noutro estudo Joaquim Candeias da Silva em Abrantes a Vila e seu Termo no Tempo dos Filipes, edição do ano de 2000, diz que nesta rua em conjunto com outras duas, Rua da Palma e Rua Grande, existiu um convento ( Mosteiro Velho ), até ao ano de 1548, abrigando as freiras da Nossa Senhora da Graça. Muitos antes em 1496 D. Manuel promulgou a lei, na qual os judeus através do baptismo poderiam permanecer no reino, os opositores a esta norma teriam de fugir ou partir, vendendo os seus bens irreflectidamente.Quem ficava tornava-se em Cristão Novo, e como esta rua corre paralelamente à Rua Grande, à época percorrida por quem chegava e partia,  o mesmo sucedia com as mercadorias. Assim os cristãos novos posicionaram-se estrategicamente na rua, passando esta a denominar-se Rua Nova. Actualmente as suas casas têm uma estrutura altiva, em tempos mais recuados podiam ter sido diferentes, algumas possuem quintais que se prolongam aos muros que os cercam através da vegetação, provocando nos meses de estio sombras frescas a quem passa. Uma rua histórica, repleta de histórias por recontar.