Voam de um lado para o outro ...
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Preenchidos com os últimos acontecimentos, não conseguimos, simplesmente observar a primavera a instalar-se. Nas aldeias da minha terra, olhando atentamente, consigo ver alguns haveres que trouxe, necessários para a longa estadia da estação. O mais visível são a cor, das flores das acácias, de algumas plantas silvestres, no trajecto, atravessando a charneca em direcção às aldeias. Os recentes episódios naturais transformaram as pessoas em andorinhas. Voam de um lado para o outro procurando equilíbrio emocional, debaixo desta mortalha cinzenta impedindo o sol declarar-se à primavera. A ausência de árvores robustas ao longo da soleira da porta que separa o litoral do interior, deixam abandonadas as regiões deste último. Com árvores vigorosas, firmando longos ramos, protegendo as clareiras, intermediando ambos os lados da porta, as pessoas da parte interior, toleravam melhor o que lhes aconteceu. Árvores nas quais pudessem apoiar-se, aguentarem a velocidade da corrente do rio, o ódio do vento. Estamos a tempo de plantarmos árvores destas, organizadas, com fins sociais, económicos e políticos. Estabelecendo as próprias normas nas várias parcelas do território nacional, onde a biblioteca ambulante encontrasse histórias de esperança.